album

X&Y

Faixas

  • Square One
  • What If?
  • White Shadows
  • Fix You
  • Talk
  • X&Y
  • Speed Of Sound
  • A Message
  • Low
  • Hardest Part
  • Swallowed In The Sea
  • Twisted Logic
  • Til Kingdom Come (Bonus Track)

Reviews

O Coldplay chega com este terceiro álbum trazendo referências tão distantes entre si, mas que servem de fundo para a já conhecida sonoridade da banda, o "lamento" de Chris Martin, marca registrada da banda, está presente em boa parte do álbum, teclados e guitarras nos remetem desde Pink Floyd até U2 (período do Unforgettable Fire/The Joshua Tree), uma leve influência do New Order aparece em algumas músicas, principalmente em "Things I Don't Understand", que tem uma introdução de baixo digna de Peter Hook, essa faixa aparece somente no lado-b do primeiro single, "Speed Of Sound", mas serve para complementar as referências deste novo trabalho.

O álbum começa com "Square One", o início me lembra aquele filme "Contatos Imediatos de 3º Grau", quando eles iniciam uma seqüência de sons para entrar em contato com os ETs, mas voltando ao planeta Terra, a música é dividida em várias partes, um começo mais lento, uma seqüência instrumental arrebatadora, lembra um pouco o começo de "A Rush Of Blood To The Head" com "Politik", sem dúvida uma grande música para abrir o álbum.
Em "What If", o piano de Chris Martin aparece moldado por um arranjo de cordas, é o Coldplay de sempre, nos transportando até "Parachutes", na seqüência vem "White Shadows", com um riff curto e repetido, na hora do refrão, Martin canta: "...maybe you got what you wanted maybe you stumbled upon it...", a lembrança de Echo & The Bunnymen surge, no final os teclados parecem com "Where The Streets Have No Name" do U2, realmente são muitas referências.
"Fix You", será o segundo single deste álbum, mas sinceramente não deveria ser, existem músicas melhores no álbum, inclusive "Talk" que aparece em seguida, vem com letra e instrumental diferente da primeira versão que circulava pela internet meses atrás, usando o riff de "Computer Love", do Kraftwerk, a primeira versão de "Talk" é fantástica, infelizmente a versão que aparece no álbum só vale a pena pelo seu final pesado, graças à guitarra de Johnny Buckyland, onde Chris canta "...So you don't know where you're going and you wanna talk / And you feel like you're going where you've been before...", esta música deveria ser o próximo single!
A faixa que dá título ao álbum "X & Y" traz uma leve psicodelia, um dos grandes momentos deste álbum, marcados pela voz e pela guitarra do Coldplay, logo após vem o primeiro single de trabalho, "Speed of Sound", talvez a música que mais se aproxime de "Clocks", sucesso garantido, tanto que estreou no 8º lugar da parada americana, coisa que só os Beatles haviam conseguido em 1968, com "Hey Jude", isso já dá a dimensão do que se tornou a banda nos dias de hoje.
"A Message" é grandiosa, começa e termina com violão e voz, mas no meio de tudo isso entram bateria, guitarra, baixo e piano, construindo uma atmosfera épica.
"Low" nos remete aos anos 80 com seus efeitos e seu baixo marcante, "The Hardest Part" é fraca demais, poderia muito bem ter entrado "Proof" que também está no lado-b de "Speed Of Sound", aliás, o Coldplay sempre deixa de fora dos álbuns faixas excelentes, que somente aparecem em singles e EPs.
"Swallowed In The Sea" nos devolve ao caminho trilhado por "X & Y", melancólica e bela, "Twisted Logic" parece sobra de estúdio de "A Rush of Blood...", já a faixa bônus 'Till Kingdom Come" tem a alma de Johnny Cash, e serve para nos mostrar que só com violão e voz o Coldplay se garante, assim como "See You Soon" é uma das mais belas composições do grupo, "'Till Kingdom Come" não fica atrás, Chris Martin se despede dizendo: "...In your tears and in your blood / In your fire and in your flood / I hear you laugh, I heard you sing / And I wouldn't change a single thing / For you I'd wait 'til kingdom come / Until my days, my days are done / And say you'll come and set me free / Just say you'll wait, you'll wait for me."

"Em termos matemáticos X e Y eram sempre as respostas, mas na vida ninguém sabe", diz Chris. "Para mim o disco fala dessas perguntas sem respostas, e do que você pode fazer em relação ao fato de que não pode explicar todas as desconhecidas variáveis."

"X & Y" é um grande álbum, mas na discografia da banda ele perde para "A Rush Of Blood To The Head" e fica equilibrado em relação ao "Parachutes", o excesso de referências tira a identidade do Coldplay, tudo se parece com alguma coisa e poucas vezes se parece com a própria banda, se compararmos o terceiro álbum do Coldplay com o terceiro álbum do Radiohead (OK Computer), fica bem mais fácil entender o que estou dizendo, que "X & Y" foi bem produzido e arranjado, isso não resta dúvida alguma, consegue um flerte pop e psicodélico sutil.
Além disso, o Coldplay sempre exalta alguma referência em seus trabalhos, se na turnê de "A Rush Of Blood To The Head" a banda seguia as sombras do Echo & The Bunnymen, em "X & Y" ela trilha o messianismo do U2 dos anos 80, mas sem o apelo político e a atitude musical.
Este álbum que segue batendo recordes atrás de recordes, vendeu 1,2 milhões de cópias em apenas uma semana, tem tudo para funcionar ao vivo, pois a banda realmente é talentosa, mesmo a figura de Martin como sendo o centro das atenções, fica difícil não destacar Johnny Buckland e Will Champion, respectivamente guitarra e bateria, e nesse álbum principalmente Guy Berryman aparece e deixa sua marca nas músicas do Coldplay.
Sobre a capa deste álbum, a banda desvendou o segredo em torno da imagem, trata-se de uma mensagem utilizando o Código Baudot, uma das primeiras ferramentas telegráficas do mundo, criada por Emile Baudot, em 1874, a linguagem foi substituída pelo Código Morse em meados do século 20.
O encarte de "X & Y" traz o código Baudot completo, sendo possível desvendar duas mensagens ocultas que aparecem na capa e contra-capa do álbum.
Entre fórmulas, segredos e códigos, o Coldplay ainda caminha para seu amadurecimento, "X & Y" talvez seja apenas uma parte do grande quebra-cabeça que a banda deverá se tornar, é o que esperamos.