The Cult: Raízes Góticas

Southern Death Cult

Com esse texto inauguro aqui no Muzplay a coluna Espanador, que como o nome sugere pretende tirar a poeira de coisas "véias", cheias de poeira, algumas quase esquecidas, outras na obscuridade, mas para sempre vivas na história da música. Aqueles que acompanharem essa coluna embarcarão num túnel do tempo musical, mergulhando no passado e resgatando coisas do tempo que a gente ainda era moleque ou ainda nem tinha nascido.

Antes de Ian Astbury e Billy Duffy chegarem ao The Cult emprestaram seus dotes em outros grupos, Duffy ao Nosebleeds - banda de onde saiu Morrissey - e ao Theatre of Hate, Astbury ao Southern Death Cult, e ambos ao Death Cult.

O Southern Death Cult (nome que, segundo Astbury, foi tirado de uma notícia de jornal) foi formado em Leeds em 1981, tendo como integrantes David Burrows (guitarra), Barry Jepson (baixo) e Haq Quereshi (bateria), além de Ian Lindsay (Astbury com o nome de solteira da mãe), apresentando um visual totalmente gótico. Aliás, não só a aparênca os aproximava dos góticos, mas também a sonoridade despejada pela banda: baterias tribais, baixo marcante e às vezes a frente da guitarra e um guitarrista versátil se revezando entre riffs, efeitos e microfonia. Em algumas passagens se aproximavam do pós punk (Apache, All Glory, Today) enquanto em outras se tornavam mais explosivos, punch, lembrando até o U2 na fase Boy/October. Somado a tudo isso, Astbury mostrava o seu interesse em culturas indígenas da América, fruto do período em que morou no Canadá.

O único álbum deixado como registro pela banda é o homônimo Southern Death Cult, que só foi lançado postumamente em 1986 pelo selo Beggars Banquet. Chegaram a abrir shows para o Theatre of Hate e, em 1983, para o Bauhaus. A banda acabou em 1983, quando Astbury resolveu pular fora.

Ainda em 1983 Astbury se junta a Duffy e forma o Death Cult, agregando ainda o baterista Ray Mondo (logo sustituído por Nigel Preston) e o baixista Jamie Stewart. No verão de 1983 lançam o EP homônimo, contendo as faixas: Brothers Grimm, Ghost Dance, Horse Nation e Christians e o em seguida um 7" e 12" com as faixas God's Zoo e God's Zoo (These Times), posteriormente reunidas na Compilação Ghost Dance, também lançada pelo selo Beggras Banquet e que contém ainda as faixas: A Flower in The Desert, Too Young ( Riders In The Snow, Butterflies e With Love (Sea And Sky), tiradas de apresentações na rádio BBC.

Como Death Cult a banda apresenta um som mais coeso e consistente, por conta das guitarras de Duffy, com arranjos melhor resolvidos e optando por uma sonoridade que se aproxima mais das bandas góticas da segunda geração. Destaque para a canção Flower in the Desert, balada acústica levada pelo violão e o vocal de Astbury (já com seu nome de batismo), faixa essa que seria usada no álbum Dreamtime, porém com arranjo diferente, juntamente com as faixas Horse Nation e Butterflies.

Enfim, em 1984, o Death Cult é reduzido a The Cult, com Astbury explicando que "estavam mais para a vida do que para a morte", ma, na verdade, objetivando dissociar-se do clima gótico.

O que veio em seguida foi o mezzo gótico mezzo psicodélico Dreamtime, o rock'n'roll mezzo psicodélico de Love e o hard rock milionário de Eletric e Sonic Temple, mas essa é uma outra história.