Especial Skol Beats 2004

Skol Beats 2004

Na quinta edição de um dos maiores eventos de música eletrônica do mundo, o Skol Beats 2004 trouxe mais uma vez um seleto grupo de atrações, um grande fiasco e 50.000 pessoas. Como era impossível cobrir o evento sozinho vou deixar as principais impressões do que consegui ver e ouvir.

Fischerspooner

O evento que sempre trouxe nomes atuais do cenário eletrônico, não foi diferente neste ano, o aclamado Fischerspooner causou furor ao ser anunciado como uma das atrações principais, afinal a dupla nova-iorquina ícone do
electro, chegou ao Brasil no auge da cena, porém, o Fischerspooner que arrastou tanta gente ao evento foi um fiasco total. O show começou interessante com a banda tocando "don't let it go", dançarinas no palco, Casey Spooner muito performático, mas isso durou poucos minutos. O que veríamos em seguida era o declínio de um show, a cada momento do "freakshow" de Spooner, mais me arrependia ter deixado o set bombástico de Patife. Enquanto Spooner começava seus ataques histéricos, Warren Fischer limitava-se em suas performances menos afetadas, vomitando sangue, tocando pandeiro e dançando no palco, nem toda a "mega" produção com chuva de papéis picados, neve artificial, purpurina, foram suficientes para salvar a noite, Casey Spooner reclamou com a banda, com as dançarinas, ficou puto com a platéia porque a mesma não cantou a "novíssima" música do grupo, parou no meio de "party killer" reclamando do som baixo, e no que deveria ser o hit da noite "emerge", Spooner largou todo mundo falando sozinho e abandonou o
palco, voltando minutos depois reclamando mais uma vez com a platéia e terminando o que seria o pior show de todas as edições do Skol Beats. Fuck off Spooner!!!

Basement Jaxx

Em compensação, 30 minutos depois do desastre do Fischerspooner, uma queima de fogos anunciou o que seria mais uma apresentação histórica nos palcos do Skol Beats, logo entrariam os ingleses do Basement Jaxx, responsáveis pelo melhor show da noite. Contando com várias vocalistas, a dupla começou seu set com "good luck" do último álbum Kish Kash, com um som muito funkeado, não faltaram citações ao longo da noite para White Stripes, The Clash e Missy Elliot, enquanto Simon Ratcliffe tocava guitarra, Felix Buxton se acabava nas programações. Na terceira música, o ultra hypado single de "red alert" colocava a platéia no seu devido lugar, dançando!  Em seguida vieram, "cish cash" com Kele Le Roc nos vocais, a versão original conta com Siouxsie Sioux, "romeo" do álbum Rooty, e mais tarde
"where's you head at" confirmando porque o Basement Jaxx é considerado hoje um dos nomes essenciais da cena eletrônica mundial. Quem viu não se arrependeu, e quem perdeu ainda teve uma segunda chance de ver os caras
discotecando no Skol Club, isso porque uma das principais atrações que era o DJ Sasha pulou fora na última hora, sorte dos fãs do Basement. O show do Basement Jaxx também serviu para mostrar que mesmo com a crise na cena
européia, alguns nomes ainda conseguem se destacar, entre eles o Basement, que passeia pelo mainstream e o underground com uma extrema facilidade. O último álbum do Basement traz também uma das grandes novidades do rap que atende pelo nome de Dizzee Rascal, ouça "lucky star" que você entenderá o que estou dizendo.

Photek

Logo no início da noite a Inglaterra mostrou que ainda é responsável por grandes nomes do jungle, Photek, que "desconstruiu" o drum & bass e deixou os tímpanos da platéia em pânico, os amplificadores pareciam que iam
explodir,  faz parte do seleto time inglês do drum & bass, como Roni Size, Goldie e Hype. Com dois ótimos discos, o primeiro chamado Modus Operandi (97) e o último Solaris (00), Photek, que já remixou Bowie e Therapy?, mostrou o lado dark do jungle, numa das melhores e mais barulhentas performances do festival.

Resumo

A apresentação do DJ Marky, mais uma vez histórica, fez a tenda Movement ficar lotada, era quase impossível entrar, e mesmo depois de conseguir, era impossível respirar dentro dela, aliás, o próprio Marky já solicitou uma tenda maior, porque chove literalmente dentro da tenda de tanto suor. Também pudera, o set dele é perfeito, redondo, chega a ser inacreditável a habilidade para conduzir o público ao delírio, seja qual música for, o que passa pelas mãos de Marky é ovacionado pelo público.

Outras apresentações memoráveis foram de XRS no Outdoor Stage, que mesmo no início do festival mostrou um set tecnicamente perfeito, incluindo novas músicas, o que agradou o público que chegava ao Anhembi. Quem também fez o
Skol Beats dançar sem parar foram DJ Patife, Renato Cohen, Anderson Noise, X-press-2, Richie Hawtkin, Darren Emerson, entre outros.

Ao longo das edições do Skol Beats o que ficou evidente é que a tenda Movement (drum & bass) está cada vez menor em relação ao seu público, já a tenda The End ficou vazia durante o início do festival, só ficaria um pouco
mais povoada quando Derrick Carter começou seu set. A Bugged Out colocou o povo pra dançar sem descanso, também, com Renato Cohen tocando lá seria impossível não dançar.  Os pontos positivos do festival mais uma vez foram a pontualidade das apresentações, a variedade de artistas que iam desde o estreante Philip Braunstein e Scratch Perverts até as lendas Roni Size, Dave Clarke e Darren Emerson (ex- Underworld), além das referências ao rock com Rolling Stones, Coldplay, The Clash, White Stripes, etc.

Os pontos negativos do evento foram a troca de estacionamentos na última hora, a venda de ingressos para estudantes fixada em um único local e a parte técnica que deixou a desejar em algumas apresentações, assim como o velho problema do som vazado de outras tendas. Se continuar assim  a festa mais redonda do planeta corre o risco de ficar quadrada. E preparem-se porque está confirmada a versão brasileira do festival eletrônico Creamfields, ao que tudo indica dia 22 de novembro em São Paulo.

Músicas para dançar/baixar:

  •  Basement Jaxx - "lucky star"
  •  Dj Photek meets Scratch Perverts - "the water margin"
  •  Groove Armada - "madder"
  •  Áudio Bullys - "100 million"
  •  Orbital - "oi!"
  •  Roni Size - "brown paper bag"
  •  DJ Marky - "hush hush"
  •  Basement Jaxx - "red alert"
  •  Fischespooner - "emerge"
  •  Renato Cohen - "pontapé"